Minha história

A minha história com os bolos começou no dia 28 de março de 2015.

Estávamos morando na hospitaleira cidade de Paranavaí, no Paraná, quando decidi fazer o meu bolo de aniversário. Algo diferente, pois os bolos da família sempre vieram do supermercado ou da padaria, nunca artesanal.

E naquele ano, eu quis confeccionar meu próprio bolo. Sem receitas, sem experiência. Fazer bolos eu até já tinha feito, mais os de cenoura no liquidificador ou Naked de chocolate, com massa pronta de saquinho.

Sempre fui boa nos pratos quentes. Mas bolo recheado e decorado com bicos de confeitar nunca havia feito.

Consegui algumas receitas, pesquisando no YouTube e contei com a ajuda de duas pessoas muito especiais. A Vera Bigelli, que me tirou muitas dúvidas e até me deu a receita da massa e da cobertura Chantininho. A Flavia Ragazzi, me emprestou o primeiro bico de confeitar que passou pelas minhas mãos, e me deu também uma receita maravilhosa de recheio que ela usava no pavê.

E assim o primeiro bolo surgiu. Minha diarista também me ajudou muito nesse dia. A Dieine.

Para minha surpresa, o bolo ficou maravilhoso e eu me enchi de orgulho. Afinal, era meu primeiro bolo decorado. Fiz um chá da tarde para comemorar meu aniversário com as amigas e foi só elogios.

Nos próximos dias, meu filho fez 18 anos e eu, claro, fiz questão de fazer o bolo.

Acho que toda confeiteira no início quer fazer bolos todos os dias. Então, qualquer motivo é motivo para ter bolo (risos). Basta ter qualquer comemoração e lá estamos nós levando um bolo. No início até gratuito (risos).

E mais uma vez o bolo ficou ótimo.

Após isso, fiz mais dois bolos para amigas e um para minha dentista.

Mas após esses cinco bolos, não houve mais nenhum pedido.

Dois meses se passaram... Na madrugada de 4 de junho estava no meu momento de oração. Quando algo muito forte falou ao meu coração. Naquela noite, Deus mostrava que eu ensinaria uma multidão fazer bolo. Quando digo que Deus me mostrou, eu falo de algo no coração, me refiro a um sentimento diferente, um pensamento que não é mais um qualquer. Naquela madrugada no meu banheiro, entre eu e Deus. Eu não sabia que a minha vida mudaria totalmente. Nas orações da madrugada acontecem coisas sobrenaturais. Enquanto falamos com Deus na correria do dia a dia, parece algo muito automático. Mas na madrugada o clima é diferente, o silêncio ajuda, o telefone não toca, filhos, marido e outras coisas não interrompem. A mente está voltada para aquele momento. E a gente abre o coração para Deus verdadeiramente. Naquela madrugada, recebi a mensagem mais importante da minha vida. Ali Deus confiava uma missão muito grande nas minhas mãos. Sem que eu tivesse a noção do tamanho do compromisso que viria pela frente.

Fiquei ali mais uns minutos ajoelhada no meu banheiro. Logo em seguida, voltei para a cama e criei as minhas redes sociais. No momento de criar as contas, um nome veio muito forte.  Mara Cakes. Eu me chamo Edmara, mas naquele momento eu mudaria de nome e de vida.

Quando as redes sociais foram criadas, postei as fotos daqueles cinco bolos que eu havia feito. E para minha surpresa, em uma das redes houve 35 mil visualizações. Uma coisa incrível. Hoje, se eu postar meu melhor bolo, isso não acontece. Como poderia 5 bolos simples ter esse número? Aquilo para mim foi a confirmação mais linda que Deus poderia ter me dado. Ele firmou a missão que me confiou naquela madrugada.

Dali em diante, as coisas aconteceram rápido demais. Deus foi cuidando de cada etapa sem que eu precisasse me preocupar. Apenas seguia as direções que ele me mostrava.

Quando as fotos se espalharam nas redes sociais, na minha cidade começaram a pedir para ensinar. Marquei então a primeira turma na minha cozinha. Não tinha apostila ou preparação alguma de curso. Apenas a vontade de ensinar as coisas que havia aprendido vendo vídeos no YouTube.

Recebi algumas encomendas, vendi meus primeiros bolos, e logo surgiram minhas primeiras alunas. As recebi em uma tarde na minha cozinha. Eram 5 mulheres com sede de aprender os meus bolos das fotos da internet. Ensinei fazer cestinha de flores, rosetas com o bico 1 M e rococó com bico 4B. Elas saíram felizes e a notícia foi se espalhando.

Em seguida, houve a transferência do meu esposo e nós mudaríamos de cidade. Ele é gerente de hipermercado e esse cargo faz com que nossa permanência nas cidades seja curta. Voltaríamos para o estado de São Paulo. Para Presidente Prudente.  

Após essa notícia, meu esposo teve uma semana de férias e fomos para a casa dos meus pais, na cidade onde nasci e fui criada. A querida Lourdes, pequena cidade do interior de São Paulo, com apenas 2 mil habitantes. Ali todos me conheciam e a notícia de que eu estava fazendo bolos se espalhou. Recebi muitas encomendas naquela semana, foram muitos bolos e até um de 10 quilos para um casamento. E todos deram certo. Acho que naquele momento Deus me preparava para tudo que viria pela frente. Foi um intensivão de bolos (risos). Eu não tinha material. Fui até uma cidade maior e comprei alguns bicos, minha mãe me emprestou as assadeiras e a batedeira. E a família toda entrou na dança. Passamos a semana toda fazendo muitos bolos. Todos me ajudando.

Na quinta-feira tive a segunda turma na cozinha da casa da minha mãe. Onde minha ela disse que eu deveria fazer uma apostila com as receitas que já tinha. Aquelas que usei durante a semana para os bolos que entreguei. Então ela e minha irmã chamaram o Valdir da cidade vizinha que fazia os serviços de gráfica para o trabalho da minha irmã e para a loja da minha mãe, e pediu para que ele fizesse uma logo e uma apostila para mim. Ela pediu para que ele fizesse 50 apostilas e eu fiquei brava dizendo para que tudo isso, se 20 cópias estaria bom demais, já que eu só teria 11 alunas na próxima turma.

Hoje já passaram de 12 mil exemplares (risos).

A primeira apostila ficou bem simples, pequena, com pouquíssimas páginas. Mas na semana tive a terceira turma no sábado. E a notícia foi se espalhando pela região. Meu telefone começou a tocar bastante. Eram as mulheres querendo aprender meus bolos. Comecei então marcar cursos quase todo domingo na garagem da minha mãe. Pegava as cadeiras dos meus compadres Ireu e Fernanda que são donos de um bar, colocava como se fosse uma sala de aula. Eu ficava na mesa à frente.

Falava de como comecei, mostrava a elas que não era o curso, a batedeira ou os ingredientes que fariam diferença na vida delas. Mostrava que o sucesso estava dentro de cada uma. E que elas precisavam de fé e ousadia para avançar. Sempre antes dos bolos eu acabava dando uma palestra de motivação através da minha história. Faço isso até hoje em todas as turmas.

Virou referência. No final da aula poucas alunas falavam dos bolos, mas da minha história elas não esqueciam. Vinham com os olhos cheios de lágrimas dizendo que estava saindo dali muito diferentes do que haviam entrado. E eu me alegrava muito por ter conseguido transmitir um pouco da fé e do amor que transborda dentro de mim. Eu ia entendo o porquê Deus tinha me colocado naquele trabalho. Acho que os bolos foram só um motivo para que eu atraísse aquelas mulheres.

Aos poucos, aquela garagem foi enchendo e quase todos os domingos eu estava lá ministrando cursos. Jamais vou esquecer o dia que eu tive 24 alunos e vi aquela garagem cheia até o portão. Achei o máximo, fiquei emocionada. Continuei meus cursos na sala de jantar do meu apartamento até meu síndico proibir! Quando isso aconteceu, eu não sabia que aquela porta se fechava para que uma muito maior fosse aberta. Fiquei triste, mas logo apareceu o primeiro convite de uma loja. A Dispan Alimentos. Que me abriu as portas pela primeira vez em um comércio.

Jamais imaginei que meu ensinamento com os bolos saísse...

Da minha cozinha em Paranavaí, do meu apartamento em Prudente e da garagem da minha mãe na pequena cidade de 2 mil habitantes.  

Passou a ser regional, estadual, nacional e hoje internacional.

Um dia meu telefone toca e era uma moça de São Paulo perguntando se eu não ensinava a distância aqueles bolos que ela tinha visto no Facebook. Depois outra de Santa Catarina... E resumindo, em menos de 4 meses de início de trabalho eu já tinha alunos em todos os estados do Brasil e em 4 países. A simples apostila já tinha rodado, rodado o país. Me lembro que os últimos dois estados que ainda não tinham enviado era Rondônia e Roraima. E que comemorei muito quando elas foram para lá!

A propaganda boca a boca foi se espalhando. A maneira que eu ensinava. E o jeito com que tratava as alunas era visto de forma diferente. Nas madrugadas eu atendia. Eu ligava para acompanhar as receitas por telefone com aquelas que apresentavam maior dificuldade. E assim o boato foi correndo... De que o curso era muito bom. O João Daniel de Buritama era quem fazia as apostilas nessa época, comprou até mais impressoras porque a demanda ficou muito grande.

Eu gravava vídeo aulas caseiros de como eu fazia os bolos. E enviava por WhatsApp para as alunas. Eu buscava fazer o melhor e passava o tempo todo no YouTube ou na cozinha entre testes e estudos. E principalmente entre erros e acertos.

A sede por conhecimento era muito grande. Continuava autodidata. Mas começava a comprar as primeiras apostilas de outros cursos e livros de receitas para aprimorar-me. Nessa época eu já começava não ter tempo para nada. Eu atendia as dúvidas das alunas, fazia bolos, gravava os vídeos, vendia apostilas.

Eu via minha mente tão interessada por coisas que nunca dei atenção. Eu me formei em pedagogia, mas exerci apenas um ano como professora substituta, fui conselheira tutelar, trabalhei na padaria do Jarrão.  Mas sempre amei foi o ramo da moda.

Na verdade, o timbre comercial é desde a infância. Onde vendi sapatilha, pano de prato e até calcinhas de porta em porta em Lourdes (muitos risos). Que lembrança mais deliciosa. Depois de casada tive uma Loja de moda feminina e até revendedoras em algumas cidades. Amava atender as clientes, criar os figurinos para a vitrine, fazer coleção e até desfile eu promovi na cidade de Turiúba. Estava sempre antenada na tendência para a próxima estação... Mas algumas mudanças fizeram com que eu vendesse a loja e estava decidida ficar cuidando somente da família.

E de repente tudo mudou. Parece que uma mente foi tirada e outra foi colocada no lugar. Porque eu só pensava em fazer bolo e mais nada.

Nessa época eu já tinha alguns grupos de alunos. Acho que uns 4 ou 5 com 100 alunas em cada. Onde eu passava o dia tirando dúvidas e batendo papo com elas. E o mais engraçado todas as perguntas que vinham eu respondia, ensinava. Às vezes paro e penso, quem me ensinou tantos assuntos relacionados à confeitaria no início? Eu respondia tudo, de massas, recheios, coberturas em cremes, chocolates e etc...

Coisa de Deus, eu acho.

Em seguida tive uma grande alegria. Uma confeiteira famosa de Goiânia chamada Juliana Morais começou me indicar. Um certo dia, eu li no Instagram dela alguém perguntando como fazia uma cobertura na cor vermelha. Aí foi quando ela respondeu que não dava cursos, mas indicava a linda Mara Cakes (risos). Na hora até pensei, deve ter outra Mara Cakes. Quando cliquei, era eu. A emoção foi grande porque ela já tinha muitos seguidores. Era bem conhecida. E me indicando eu cresceria ainda mais. Ela talvez não soubesse o que estava fazendo, mas eu sabia, Deus estava usando aquela mulher que até então era uma desconhecida para me abençoar. Depois da indicação da Ju, ganhei muitos alunos a distância, cada dia mais eu ganhava alunos do Brasil e de outros países. E ela se tornou uma grande amiga. Daquelas que chamamos de irmã.

Nessa época eu já ministrava cursos presenciais em várias cidades. Nunca recusei um convite. Comecei tudo muito humilde. Muitos cursos foram em casas simples demais, com telhados baixos e muito quentes. Onde eu morria de medo da cobertura derreter na hora de fazer os trabalhos com bico. Mesmo todos se abanando com a apostila era muito legal. Vivi momentos inesquecíveis.  Aos domingos eu e minha família carregávamos o carro e íamos dar cursos em cidades vizinhas. Meu esposo que no domingo não ia para o supermercado, tinha o maior prazer em me ajudar, ficava até na recepção atendendo as alunas.

O valor era bem abaixo do mercado. Para que todas tivessem acesso. Muitas pediam para pagar depois e eu fazia. Até às alunas de outros estados eu vendia a apostila fiado (muitos risos). Essa questão de valor sempre tive em mente que nada relacionado a esse trabalho poderia ter valor abusivo.

Logo após esse período de cursos dentro do estado de São Paulo, tive um convite que marcou o início da minha carreira. O Conisugar – Congresso Internacional de Confeitaria Artística. A convite da querida Cake Designer Jaqueline De França que vivia na Espanha na época, eu precisava gravar um vídeo ensinando decorar um bolo.

Foi o primeiro vídeo da minha vida. Passamos 8 horas gravando. Ali eu tive o primeiro contato com meu cinegrafista atual. O Ronnie.

Passamos 8 horas gravando uma aula que teve a duração de 40 minutos (risos). Mas, era a minha primeira gravação. Hoje estou craque (risos). Nesse congresso a organizadora havia escolhido palestrantes do Brasil e do exterior. Grandes nomes da confeitaria, eu ali no meio tão pequena, sem formação e com tão pouca experiência. Apenas alguns meses após ter feito o primeiro bolo da minha vida.

As pessoas tinham que se cadastrar por e-mail para assistirem às aulas. As primeiras palestras contavam com 500, 600 até 800 pessoas assistindo. Minha aula foi no terceiro dia. E para a surpresa de todos bateu um recorde muito grande. Abriu com 2 mil pessoas, subiu para 3,4,5 e 6 mil pessoas. Foi quando impediram que mais pessoas entrassem porque a conexão estava ficando ruim demais.

Aquele recorde foi uma surpresa para todos. A minha aula foi a mais falada da internet. Soube depois através de alguns gráficos. Eu jamais imaginava diante de tantos profissionais renomados, com formações internacionais. Ali Deus me provou mais uma vez o quanto estava comigo. Eu a única sem experiência e sem formação ter uma repercussão grande como foi.

Naquele momento eu ficava ainda mais conhecida. Comecei a receber convites para ministrar cursos em outros estados. O primeiro foi em Goiânia, 3 turmas de 80 pessoas por dia e depois Brasília com uma turma de 85 alunos. Era lindo demais ver aquela sala lotada. A emoção tomava conta. Recebi carinho demais. Em Goiânia foi um evento muito grande onde a amiga Ju Morais buscou muitos parceiros. Até a família dela ajudou muito. Família pela qual tenho um carinho enorme.

Durante esse período recebi um convite muito especial. Dessa vez, era da loja de confeitaria mais conhecida do Brasil. A loja Santo Antônio em São Paulo. Aceitei o convite mesmo sabendo que o centro culinário dali recebia grandes nomes da confeitaria. Mais uma vez me deparei com profissionais formados e renomados. E mesmo assim aceitei o desafio. E para minha surpresa, quando as vagas foram abertas, esgotaram em menos de uma hora. Eram 90 vagas. Minha primeira aula num centro culinário tão grande e tão lindo. A sala estava muito cheia e eu recebi muito carinho naquele dia. Como foi um sucesso, fecharam comigo para os próximos meses. E todo mês até hoje as vagas esgotam. Já tem mais de um ano que estou lá e ainda é assim. Sem contar todo apoio que a Fran e a Meire (proprietárias) me dão.

Tudo foi crescendo muito. O número de alunos, os convites. Tomou uma proporção muito grande. E eu sempre muito grata a Deus.

Fiz meu primeiro tour pelo Brasil. Passei pelas melhore lojas. Conheci nosso país inteiro em 4 meses. Passando por todas as capitais. Conhecendo muitas pessoas e histórias. Hoje já voltei na maioria delas. Algumas pela terceira vez.

Eu já estava quase morando em hotéis e aviões. O cansaço era gigante em alguns momentos. Eram voos na madrugada. Malas pesadas com todo material de curso. Dias inteiros de pé num total de 10 horas seguidas. Trabalhei muito 20 horas por dia durante minhas viagens. A saudade da família apertava demais em alguns momentos, chorei em várias madrugadas no quarto do hotel sozinha. Mas no outro dia, uma alegria muito maior tomava conta de mim quando eu encontrava a sala cheia, alunos ansiosos, alguns choravam, tremiam quando me viam. Abraçavam apertado e diziam ela é de verdade. É igualzinha da Internet (risos). Aquilo me fazia esquecer todo o cansaço e as dificuldades. Minha família sempre reclamava da minha ausência. Mais era o meu esposo que reclamava. E achava que era uma fase rápida. Que ia passar logo. E que daqui uns meses ninguém se lembraria de mim. Pensava em aproveitar o momento. Eu disse várias vezes a minha amiga irmã, Luciana Vecchi, que era só uma fase rápida e ia passar. Ela nunca concordou. Dizia que eu faria diferença na vida de muitos porque eu tinha a Luz de Cristo (que linda dizendo isso).

E realmente não passou rápido como eu imaginava. Cada dia que passava mais os trabalhos aumentavam.

Nesse período, eu já não conseguia trabalhar sozinha. Minha vida havia mudado demais. Eu já não dormia direito.  E estava sempre fazendo tudo correndo. Almoçava e jantava no celular. Cheguei a um ponto de sentar à mesa para trabalhar às 8h da manhã e ir até as 8h do outro dia. Começou a ficar muita coisa para mim.

Estava trabalhando demais e minha família começava a se preocupar. Diziam que eu ia ficar doente.

Foi quando decidi contratar meus primeiros colaboradores. Comecei pela minha enteada Jessika, a filha do meio do meu esposo. Que virou meu braço direito. Cuida até hoje do atendimento, inscrições dos cursos, e do envio de tudo que o meu site vende. Depois veio o Ronnie de Presidente Prudente, cinegrafista que ficou trabalhando fixo, ele que produz todos os meus vídeos até hoje, inclusive foi quem mais me ajudou na produção deste livro. Depois veio o Lucas de São José do Rio Preto com o trabalho de web designer. Depois outra secretária, a Luciana de São Paulo, que cuida das redes sociais, dos grupos de alunos e das parcerias com as lojas onde ministro cursos. Depois o publicitário Levy Augusto da Bahia, que viajou muito comigo, cuidava das reservas dos hotéis, das divulgações.

Depois mais uma secretária, a Lidiane de Presidente Prudente, que é responsável por me ajudar com os testes, receitas e tudo que eu preciso na cozinha. E por último, a agência Urbe, que trouxe dois grandes profissionais para agregar na equipe. O Adriano é mais que um assessor, cuida de tudo para mim. O Nathiel é o diretor de criação. Quem faz todo meu material de mídia que circula nas redes sociais. Que fez também o meu site.

E assim foi constituída a melhor equipe que eu poderia ter. Não são funcionários, são amigos, verdadeiros parceiros.

Foi tudo crescendo de forma sobrenatural e eu via a mão de Deus todos os dias. Em cada degrau que eu subi.

Sabe o versículo ‘Deus não escolhe capacitamos mas capacita escolhidos? ’ Eu fui uma grande escolhida.

Via a forma que as coisas aconteciam. Via tantas pessoas que estudaram, se especializaram, que faziam trabalhos muito melhores que os meus. E que não vivenciaram nada daquilo que acontecia comigo. Muitas coisas não tinham explicação natural. Não tinha uma receita, não tinha um modelo de bolo para dizer, foi isso que te deu esse sucesso rápido. A internet é cheia de receitas, o YouTube é cheio de vídeos de muito mais qualidade que os meus. Outras pessoas ensinavam o mesmo que eu. Mas não acontecia o mesmo.

Não tinha explicação para esse crescimento tão rápido. Coisa de Deus mesmo. Costumo dizer que todo ser humano precisa ter fé e ousadia se quiser avançar na vida. Eu poderia ter dito muitos nãos. Desde aquela madrugada quando Deus disse que eu ensinaria uma multidão fazer bolo. Poderia ter achado uma loucura, já que eu não sabia nada de confeitaria.

Ou quando fui convidada pelo Conisugar e pela Loja Santo Antônio. Poderia ter dito não, por saber que ali estariam culinaristas experientes. Poderia ter tido medo. Ou insegurança. Mas não. Acreditei em mim e segui em frente. Um ano depois já era muito conhecida no Brasil e fora. Foi quando surgiu o primeiro convite internacional. Ministrei um curso em Milão na Itália. Experiência incrível. Olhava para trás e não conseguia achar respostas para tudo que eu tinha vivido em um ano. Nesse período, já havia começado me especializar. Havia feito cursos de chocolate, de pasta americana. Fiz também o curso de formação de professores da Wilton. Que é o maior nome de produtos para confeitaria no mundo. Passei 15 dias na Europa. Visitei grandes confeitarias em Paris e Londres. Fiz cursos na Inglaterra e na Espanha. Estive no maior congresso de confeitaria do mundo. Voltei à Espanha novamente em outro curso. Tenho um congresso nos Estados Unidos também este ano.

Vi que era hora de me especializar. O mercado exigia. E eu já começava me cobrar muito. Já não dava mais para ser a mesma. O nome estava cada dia mais forte. O número de alunos e de viagens crescia cada vez mais. Minhas agendas já eram enormes. Parecia turnê de cantor que a cada dia estava em um estado. Eu participava de vários programas de TV nas capitais do Brasil por onde eu passava. Saía nos jornais, nas revistas, nos blogs. As turmas eram a coisa mais linda de se ver. Lotadas, salas com 100 pessoas. Comecei a fazer cursos em hotéis 5 estrelas. Para oferecer conforto aos alunos. Muito diferente de como comecei dando meus cursos, na cozinha, na garagem, nos fundos de casas. Tudo foi evoluindo.

Inclusive o material que deixou de ser uma apostila em espiral e virou um lindo livro e junto acompanhava um DVD com mais de 30 vídeos onde eu ensinava as principais técnicas. Um material bem completo principalmente para confeiteiras iniciantes. Quem me dera no meu início ter encontrado um livro assim.

O sucesso só aumentava e as histórias de sucesso entre os alunos também. Um ano intenso de viagens se passou. Uma mais interessante que a outra. Conheci a cultura e os costumes de cada região do nosso país. Viajei de barco por duas horas no Amazonas passando pelo Rio Negro e Solimões para conhecer uma tribo indígena. Essa foi inesquecível.

E muitas outras experiências. Recebi tantos presentes, bonequinhas minhas miniaturas. Várias coisas personalizadas com a minha foto. O povo do Nordeste é muito amoroso, como amo aquele povo. Volto com as malas cheias de presentes, e o coração repleto de amor. Tenho tanto carinho pelas lojas de lá também. Que me recebem de um jeito tão especial.

Sou muito grata por tudo. Mas umas das coisas que mais me deixa feliz, são as histórias que recebo dos meus alunos. Quando uso a frase ‘Muito Além de Bolo’ não é à toa!! Muitas histórias foram mudadas, vidas e vidas transformadas. Plantei muitas sementes de fé e de amor por onde passei. Muitas fiquei sabendo um bom tempo depois. Me contavam na próxima aula que eu tinha ajudado muito, que eu tinha mudado a vida delas. Muitas saíram da depressão através dos bolos. Porque fazer bolo é a melhor terapia do mundo (risos).

Muitas situações financeiras foram restabelecidas. Pessoas que entraram no curso por entrar e foram muito abençoadas. As encomendas triplicadas após meu simples curso de bolo.

Recebo histórias que me fazem chorar de emoção. Quantas mulheres desempregadas ou com os esposos desempregados puderam mudar a história da família. Adoro contar a história da Sheila, que foi no meu curso com dinheiro da inscrição emprestado e hoje paga faculdade do filho e da filha com dinheiro dos bolos. Atualmente não dá conta de tantas encomendas. As histórias são infinitas de gratidão a esse trabalho que eu não escolhi. Vi nesse caminho vidas e vidas transformadas. Alunas que chegaram de baixo, que não tinham uma encomenda, não tinham nome, não tinham logomarca e etc... Hoje vejo tanto crescimento, tanto avanço. Elas entraram nos meus grupos com pouca experiência e através do convívio com as colegas foram avançando. É um grande orgulho para mim. Acho que mais gratificante por eu não ter projetado nada disso, não ter planejado nada. E as coisas acontecerem da forma que aconteceu.

E tudo muito rápido. Acho que o período econômico que nosso país atravessa contribuiu muito para que eu me destacasse. Eu cheguei num momento em que muitas mulheres buscavam outra fonte de renda para ajudar nas despesas da casa. E eu oferecia uma profissão a elas por um pequeno investimento. O lucro de um único bolo já pagava meu curso naquela época.

E elas podiam com pouco dinheiro aprender o que era tendência lá fora. Entre meus alunos, tenho profissionais de todas as áreas. São médicas, engenheiras, juízas, psicólogas, professoras. Eu instigava a curiosidade das pessoas a virem na minha aula. Ninguém entendia esse sucesso rápido.

Ouvi tanto falar em crise durante esse período. Mas foi nessa mesma crise que Deus tanto me surpreendeu.

Hoje sou uma empresa.

Ângelo & Gasques Palestras Ltda.

Tenho 70 grupos de alunas no WhatsApp, reunindo um total de mais de 12 mil alunos. Espalhados pelo Brasil e mais 16 países. Uma pena que com essa quantidade, eu não consiga mais dar a mesma atenção do início. Conhecer um pouco da vida de cada uma como era quando iniciei. Responder todas as mensagens que recebo. Muita coisa mudou. Hoje não dou conta.

Me tornei referência no país e fiquei conhecida mundialmente. Tenho seguidores de todo lugar do mundo. Reunindo um total em de 350 mil seguidores em todas minhas redes sociais. Em apenas um ano e meio.

Os cursos ganharam fama e viraram febre no País. Muitas alunas virando professoras e ministrando também cursos. Sempre fui grande incentivadora. Na verdade, acho que inspirei até os antigos a percorrerem o Brasil.

Hoje recebo ainda mais convites de lojas e de parcerias.

No momento ensino nos cursos presenciais, uma receita e técnicas de um curso que fiz na Espanha com uma professora coreana. Inclusive que eu já trouxe para o Brasil, onde ela ministrou uma semana de cursos. E o meu trabalho segue fazendo sucesso. Sei que ainda tenho muito que aprender. Mas hoje se parasse por aqui eu já estaria satisfeita. Pois foi muito além do que eu podia imaginar. Ser reconhecida no aeroporto. Ser seguida e admirada por tantos. Isso não tem preço.

No último congresso internacional fui parada várias vezes para fotos. Acho ainda muito engraçado essa questão dos fãs, das filas para fotos. E ao mesmo tempo a coisa mais gostosa do mundo.

Eu tenho muita gratidão e amor por meus alunos, sem eles eu jamais estaria onde estou. Eles foram os maiores responsáveis por tudo que me tornei.

Acho que consigo transmitir bem esses sentimentos. Porque o carinho que recebo é inexplicável. Até as crianças me enchem de amor. Recebo vídeos e cartinhas lindas de filhos de alunos. É algo sobrenatural. Fico feliz demais com essa questão de as crianças gostarem tanto de mim. Por mais que ouço muito dos adultos, que tenho uma luz muito forte. Um brilho diferente. Humildade, carisma e um coração gigante.

É melhor ainda quando esse reconhecimento vem das crianças que são tão puras e verdadeiras.

Hoje diminuí minha agenda de viagens com os cursos presenciais para ficar mais com a família e cuidar de outros negócios. Meus filhos tendo 20 anos e minha filha 15.  Precisam da mãe por perto. Sempre fui mãezona e muito dona de casa. Daquelas que entregava as roupas na mão e fazia o prato de todos. Imagina como minha família sentiu a minha ausência.

Mas agora sinto que é hora de ficar mais em casa e dar maior atenção a outros projetos. Hoje além dos cursos.

Organizo outros cursos ministrados por professores internacionais. Tenho uma parceria com uma escola da Espanha. A ideia surgiu como um facilitador entre os que não têm condições de viajar para o exterior em busca de aperfeiçoamento. Nesse momento trago uma das mais conceituadas confeiteiras do mundo para ministrar curso em São Paulo.

Algo grande também que Deus me presenteou, foi a criação de minhas franquias – lojas café Gourmet Mara Cakes. Desenvolvida pela conceituada Cia de Franchising que implantou grandes nomes no Brasil. Estamos em fase final prestes ao lançamento. Esse projeto ainda não parei para acreditar.

Era algo tão distante da realidade para quem começou como eu.

Outro negócio é o site por assinaturas. Uma espécie de escola de confeitaria virtual. Onde tenho milhares de alunos. Esse ano de 2017 está maravilhoso. Um ano grandioso.

Outro fato é que nesses dias está acontecendo a maior Feira de Panificação da América Latina, que recebe 60 mil visitantes. E eu que no ano passado dei uma aula de 1 hora em um dos stands como convidada, dessa vez serei uma expositora, tendo meu próprio stand em uma das principais ruas da feira. Entre as grandes multinacionais do seguimento Panificação e Confeitaria.  Além disso, conto com 60 professores, colegas de profissão, que ministrarão aulas gratuitas no meu stand durante os 4 dias de feira para os visitantes. Isso foi uma grande novidade deste ano. Agradeço demais cada um deles que colaboraram com esse grande projeto de forma voluntária. É sim um sonho. Ouvi várias vezes que revolucionei a feira. Que sempre teve poucas palestras assim. E foi um sucesso, mesmo antes de acontecer só se falava no stand da Mara Cakes (emocionada).

Lancei esse livro e vários produtos de confeitaria assinados por mim nesta grandiosa feira de negócios.

E posteriormente as vendas continuaram no meu próprio site.

São coisas que jamais imaginei, que me aconteceria aos meus 38 anos. Estou feliz, realizada demais vivendo os meus melhores dias. É uma realização pessoal e profissional que não se explica. Todas as vezes que vou dar uma entrevista, a mesma pergunta acontece. A que eu atribuo todo esse sucesso rápido? Qual dica eu daria para quem está começando?

Acho que cada um precisa acreditar mais em si mesmo. E principalmente fazer ao próximo somente aquilo que deseja para a própria vida. Acho que a receita do sucesso está nessa última frase.

Deus tem feito muito. Nada do que tem acontecido precisei ir atrás. Tudo veio até mim da forma mais natural possível. Hoje tenho um respeito muito grande dos alunos, das marcas e das lojas de todo país. Meus familiares se orgulham muito da minha história. De onde saí e de tudo que me tornei.

Muitos dizem que tenho sorte demais. Mas o que tenho mesmo é um grande Deus, aliado de muito trabalho e dedicação. E onde tudo isso vai parar? Eu não sei. Só ele sabe. Eu dormi Edmara naquela noite e acordei Mara Cakes.